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Um pouco sobre bipolaridade, transtornos de humor, depressão, ansiedade...
tudo, ou nada!

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#depressão #ansiedade #tdah #bipoloaridade #pânico #distimia #melancholia
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sábado, 7 de maio de 2011

O sono atrapalha minha vida.

As vezes me sinto em uma relaidade paralela, onde vivo no submundo da noite.
Não gostaria de ser assim. De poucas coisas sinto inveja, mas a principal delas é de quem acorda bem cedo. A sensação que dá é de que elas aproveitam mais a vida, tem mais energia.

A noite não oferece muita coisa senão a solitude. Não que isso seja pouco, adoro meus momentos comigo mesmo...o silêncio, quando todos dormem, a cidade dorme.



Mas ao raiar do sol chega a letargia. O mundo não pára. E aí vem o maldito sono!

E passo o dia confortavelmente entorpecido. Parece que não sou eu em mim. As coisas passam em uma velocidade mais rápida do que eu posso acompanhar. Como em um sonho, parece que vejo tudo em uma câmera lenta, sempre como espectador. Não é  muito interessante sonhar de dia...sonhar acordado...

Isso atrapalha minha vida. As fichas só caem depois, chego sempre atrasado, a vida vira uma confusão.

Como um vampiro, fujo do sol, só penso em minha cama, e no meu quarto escuro.


Sono insano, faz da vida sonho...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Conselho de uma lagarta.

A Lagarta e Alice olharam-se uma para outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta.

"Quem é você?", perguntou a Lagarta.

Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente:

"Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então."

 

LEWIS CARROLL
Alice no país das maravilhas

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O Amor e a depressão.

Parece que magnéticamente afastamos as pessoas. Principalmente se sabem do nosso problema. Dizem alguns que é até contagioso; "aff, pessoas negativas dão azar"...e batem 3 vezes na madeira.

Por vezes, na depressão queremos nos agarrar a um relacionamento como um náufrago se agarra a um colete salva-vidas. Mas corremos o risco de não sermos entendidos. Nossa aparente infelicidade agride. Nossa impaciência arranha quem as vezes está ao nosso lado pra ajudar no que for preciso, mas não sabem como. Um simples carinho, um silêncio como resposta na hora certa; é preciso paciência para lidar com um depressivo. E num mundo tão corrido, paciência é uma qualidade rara nas pessoas. Fica cada dia mais difícil esperarmos isto de alguém.

Do outro lado, o eufórico, em seus pensamentos mágicos acha que ninguém é o bastante. "Ninguém é capaz de me aturar. Ninguém é capaz de estar ao lado de alguém tão inteligente e especial e que requer tantos cuidados como eu", pensa o eufórico.

Se você presencia um assassinato, você pode denunciar ou ser cúmplice. Amar é ser cúmplice da sua paixão, é aceitar os defeitos do outro mesmo sabendo que ele está por vezes completamente errado. A paixão cega, mas o verdadeiro amor é incondicional.

Mas como uma pessoa que não aceita a si mesma consegue aceitar o outro? Como uma pessoa que não ama a si mesma pode amar uma outra? Muitas relações são mantidas por medo da solidão, por uma obsessão de um desejo projetado no outro; por idealizar que no amor pode estar a tão sonhada felicidade. Mas ela não deveria estar dentro de nós mesmos?

Daí vem as cobranças, as expectativas de que o outro seja o que nós idelizamos. Difícil lidar com tudo isto quando não estamos em paz com nosso próprio coração. As vezes cobramos que a outra pessoa seja feliz por dois. E nestes casos a crise é inevitável.

Solidão é uma realidade que bate à nossa porta. Parece que magnéticamente afastamos as pessoas. Principalmente se sabem do nosso problema. Dizem alguns que é até contagioso; "aff, pessoas negativas dão azar"...e batem 3 vezes na madeira.

Estou separado por medo da aceitação. Amo ela, e em um momento de muita fraqueza, terminei a relação achando que ela não era obrigada a passar por todos os tormentos comigo. Não consegui colocar tudo que escrevo na prática. Mas acho que nessas horas, uma conversa sincera é o melhor caminho para uma relação madura e equilibrada.

Não ache que pessoa amada vai demorar para perceber seu problema, ou a intensidade dele. É preciso então jogar as cartas na mesa. Deixar de se sentir uma vítima, perder  o medo e se entregar. E antes que você espere que alguém te aceite como é, é necessário que você mesmo o faça. Abra seu coração, não fuja do amor (nem do amor prórpio), e deixe claro que a melhor ajuda é a compreensão gratuita, e que o amor pode vencer tudo.

Não existem fronteiras para distúrbios entre o cérebro e o coração. Então vamos abrir nossas cabeças e nosso corações ao novo. Vamos abrir primeiro nossas almas, e destravar portas e janelas para o mundo; para que o amor aconteça. Com desapego, liberdade e cumplicidade.

Porém, quem souber uma receita prática para que isto aconteca, por favor me diga...



segunda-feira, 28 de março de 2011

Hormônio do sono pode reduzir sintomas da demência

Um novo estudo, conduzido por 
médicos da Escócia, quer descobrir se uma droga associada ao sono pode melhorar a qualidade de vida das pessoas com demência.

A informação foi publicada no site do jornal britânico "The Telegraph" nesta segunda-feira.

A empresa de pesquisa médica CPS Research, em Glasgow, está conduzindo um ensaio clínico utilizando um medicamento contendo melatonina, um hormônio que induz ao sono. Os pesquisadores esperam que a substância reduza sintomas associados à demência.

A equipe do projeto "Melatonin in Alzheimer's Disease", pioneiro no mundo, espera recrutar 50 pacientes para o estudo, durante um período de seis meses.

Qualquer paciente diagnosticado com Alzheimer, que esteja em tratamento, pode ser elegível para participar do estudo.

A causa mais comum de demência é a doença de Alzheimer, mas outras condições que afetam o cérebro também podem causar o problema.

Segundo Gordon Crawford, do CPS Research, "a demência é uma condição degenerativa, que afeta a vida de famílias e amigos dos pacientes. Ao reduzir os sintomas da doença, espera-se que tanto os pacientes quanto seus acompanhantes possam desfrutar de uma qualidade de vida melhor".

"Na nossa base para o projeto, investigamos uma versão de liberação lenta do composto natural melatonina. Nossos resultados sugerem que os participantes funcionavam melhor durante o dia --possivelmente por causa de um padrão de qualidade do sono melhor."

"A melatonina não é utilizada no tratamento da demência, mas é registrada na Europa e no Reino Unido para uso em pacientes idosos com dificuldades para dormir. Já foi provado que o hormônio é seguro e isento de efeitos colaterais. Estamos investigando se o uso como um tratamento adicional da demência pode transformar a vida dos pacientes e seus cuidadores."

"Com a ajuda de voluntários da Escócia, nosso objetivo é determinar se a adição de melatonina aos tratamentos atuais pode proporcionar um grande avanço no tratamento da demência."

Para Alan Wade, do CPS Research, "o que sabemos é que os pacientes com Alzheimer não produzem melatonina como pessoas saudáveis. O estudo vai descobrir como a adição de melatonina os afeta."

A droga utilizada no estudo é chamada Circadin.

Fonte: Folha Online

quarta-feira, 16 de março de 2011

Perdido dentro de mim mesmo. Não acho a saída...

Algumas pessoas se irritam comigo porque minhas respostas mais comuns nos últimos tempos tem sido: Não sei e tanto faz. Minhas poucas preferências são totalmente incomuns; isto quando sei o que prefiro. 

Meu senso de humor é estranho, às vezes nem sei do que rir. Se tenho que sair de casa para diversão, não sei onde ir. Se vou a um restaurante, tanto faz o prato; se vou a um cinema tanto faz o filme. A sensação que tenho é que perdi o rumo da vida. Meu plano de vôo foi esquecido. A programação do meu software foi corrompida. E vai batendo aquela horrível sensação de vazio.... quem sou eu? onde estou?

Isto tudo me dá um desespero, porque antes da chegada da minha crise depressiva eu era uma pessoa decidida. Sabia o que queria, sabia onde ir. É como se minha personalidade estivesse apagando com o tempo. É como acordar todo dia uma nova pessoa. Mas isto não é nada bom, é como ter um Alzheimer consciente.



Estou trancado dentro de mim mesmo e não acho a saída.
Fico entre a cruz e a espada. Não sei se paro tudo e cuido da doença, ou se enfrento a vida mesmo sem força, fazendo o jogo dos felizes. Tenho medo de parar tudo e a vida passar. Pode ser que fique mais difícil a volta. Pode ser que essa parada seja ainda mais demorada do que penso. Se eu continuar, será que consigo reverter minha situação profissional e afetiva; mesmo sem força?

Não sei qual a relação exata com as medicações. Ainda não sei se é falta ou excesso de sensibilidade. O fato é que parei com os remédios e com a terapia. Mas sei que é fundamental a volta do tratamento, assim que me reestruturar financeiramente.

"Que seja quente ou seja frio, se for morno eu te vomito" (Apocalipse cap.16). Peço a Deus todos os dias forças para achar uma saída dessa escuridão, saber o que quero e me encontrar novamente; quente ou frio, certo ou errado, mas que seja a luz do meu verdadeiro Eu.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Depressão e Euforia são formas de não aceitar a própria vida...

Prometeu foi um titã inconformado que roubou o fogo divino (sabedoria e conhecimento) e o presenteou ao homem, concedendo-lhe o dom do Espírito. 

Libertou o homem de sua condição de simples criatura, para um estado de criador. Tornando os humanos seres independentes dos Deuses, e senhores do próprio destino. Prometeu foi punido como traidor, sendo levado a uma montanha, onde pássaros comiam seu fígado, que voltava a crescer todo dia, tornando eterno o seu castigo.

Esse fogo, essa sede de sentir, esta fome de viver... é o que move a humanidade. Mas de todo desejo também nasce o sofrimento.


Depressão e euforia são sintomas geralmente vistos como opostos. Como sentimentos totalmente distintos. Não concordo! Acho que são sentimentos que nascem de uma mesma fonte. De quem não está satisfeito com a própria vida, com a própria existência. 

Depressão é sentir a impotência de se assumir menor que o curso implacável da natureza. Do sentimento de não poder parar o tempo, de não poder moldar o mundo ao nosso modo.
A euforia é um antídoto à inércia, fabricado com o veneno do próprio medo. É inflamar a centelha  presenteada por Prometeu, e ser incendiado pelo sentimento de poder mudar o curso da vida.

Assim herdamos o castigo de sermos devorados diariamente pelo poder dos Deuses, mas podemos amanhecer refeitos pela condição do fogo da liberdade. 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Depressão: Doença de Preguiçoso

Para os "normais" qualquer doença de cabeça é depressão. Loucura, ansiedade, desânimo....que importa o que você sente? Se você não atende aos comportamentos esperados e formatados, embalados com sabor arco-íris, lá vem o mesmo blá blá blá...."vamos lá rapaz, se anima!", "não se preocupe, vai passar", "você é forte, supera isso", ou ainda, "com o tempo você melhora". Saibam que cobrar ânimo de uma pessoa deprimida, é como pedir para um paraplégico levantar de sua cadeira de rodas.

Infelizmente, só sabe o que é depressão quem passa por isto; quem sente a doença na própria pele. Lembrando aos "normais" que depressão por si só geralmente é um sintoma de algum distúrbio mental. O problema é que hoje são tantas as nomenclaturas e variações já diagnosticadas, que fica difícil, até pra quem tem qualquer transtorno, identificar e reconhecer qual a origem e a causa do problema.

Devemos entender que quem passa por uma crise de origem psicológica está doente, seja qual for a intensidade do problema. Se foge ao seu controle, se é algo que atrapalha sua vida, deve ser reconhecido e tratado como uma enfermidade como qualquer outra. Se você tem uma febre, de origem viral e ou infecciosa, você tem que tomar remédios e ficar de repouso. Porque doenças psicológicas são vistas de forma diferente pela sociedade? 

Na era onde clássicos de auto-ajuda são campeões de vendas nas livrarias de todo o mundo, parece fácil controlar nossa mente e nos libertarmos de qualquer mau que nos aflija. Não podemos chegar ao nosso trabalho com um atestado médico recomendando repouso absoluto por conta de uma depressão. É uma doença de pessoas fracas, dizem por aí. Coisa de quem não tem força de vontade para enfrentar os problemas, coisa de preguiçoso....doença de rico; pois quem sofreu na vida não pode se dar ao luxo de se deprimir. 

"Vamos lá rapaz, dá a volta por cima...o mundo é dos espertos!". Que mundo é este então que estamos criando? Fico a me perguntar....

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Ciclotimia x Bipolaridade....Sintomas parecidos x Doenças diferentes (Max Gheringer)

Ciclotimia x Bipolaridade

Texto descrito de uma reportagem da Rádio CBN, por Max Gheringer:

"Escreve um ouvinte preocupado e incomodado. Ele diz: "Temos um colega de trabalho que uma hora está de ótimo humor. E outra hora parece que não quer ver ninguém por perto. Essas mudanças súbitas de comportamento preocupam, incomodam e afetam o ambiente de trabalho. E não sabemos o que fazer a respeito."

Eu achei prudente perguntar a um médico o que isso poderia ser. E ele me explicou a diferença entre transtorno bipolar, que é um caso muito sério, e ciclotimia, que parece ser o caso do colega em questão.


No transtorno bipolar, a pessoa parece que se transforma em outra pessoa, completamente diferente. Já a ciclotimia é uma forma mais leve desse transtorno. Os extremos de humor não são tão drásticos, o que leva o ciclotímico a concluir que ele está apenas passando por uma fase momentânea de cansaço ou indisposição.

Para quem convive com um ciclotímico, fica a impressão de que ele é alguém alegre, cooperativo e de alto astral. É por isso que os colegas se incomodam tanto quando o outro lado do ciclotímico se manifesta. É quando ele fica em silêncio, torna-se pessimista, tem dificuldade para se concentrar no trabalho e reclama que está cansado.

Para os colegas, a solução é simples: basta que a pessoa se esforce para ser gentil, alegre e atenciosa o tempo todo. Pronto! Resolvido! 

Se fosse assim tão simples, a ciclotimia não existiria, porque poderia ser eliminada apenas com um pensamento positivo na hora de escovar os dentes. Mas não é assim tão fácil. O ciclotímico precisa ser convencido a consultar um especialista, por três motivos:

Primeiro, a ciclotimia é mais comum do que parece. Ela afeta 1 em cada 200 adultos, embora a maioria não apresente sintomas com uma intensidade que seja capaz de convencê-los a procurar tratamento.

Segundo, se não for tratada, a ciclotimia pode vir a se transformar em transtorno bipolar, e aí sim, o emprego e os relacionamentos estariam em sério risco.

E terceiro e menos importante, os colegas de trabalho se sentem incomodados."

Max Gehringer, para CBN.



domingo, 9 de janeiro de 2011

Tratamento Depressivo: Anestesia ou Cura? Dádiva ou Maldição?


Um dia tomei um remédio chamado Neozine. Fiquei bêbado por 2 dias. Com a visão turva, boca e olhos secos. Língua enrolada, mente pior ainda. É assim que tenho que tratar da minha depressão? Anestesiando a dor? Me mantendo acordado....longe do que minha terapeuta chama de "pensamentos mágicos"?


Não acredito em terapia. Não acredito em psiquiatria. Na verdade acho que essas duas ciências ainda tem muito o que evoluir. Quem sabe meu neto não fará um exame de sangue e sairá o resultado na hora: Bipolaridade tipo 4. Ou minha neta fará uma tomografia e 5 segundos depois.....bip....bip....Défict de Atenção; e o melhor, irá ter medicação pra isto. Tome um comprimido dose única e vire um "normal", tome uma vacina preventiva, e nunca mais fique deprimido. 


Fico pensando e repensando as causas da melancolia que sinto. Dessa tristeza que as vezes invade minha alma, desta falta de esperança na humanidade. Penso na sensibilidade que tenho, ao ver um filme, ler um poema; sensibilidade que não vejo os "normais" terem. Então o que seria isto afinal.....dádiva ou maldição? Que decisão tomar? Tratamento ou entrega? 

Talvez se eu vivesse no mundo de 100 anos atrás eu preferisse viver depressivo. Me entregaria ao bico de pena, e sangraria minha dor diante das páginas e noites em branco. E hoje? Se eu talvez escolhesse uma forma alternativa de viver, a tão sonhada utopia da cabana de pescador na beira da praia.... se eu fosse pra europa estudar arte e estampasse minha angústia em telas manchadas à óleo e dor. E se conseguisse vender cada tela por 150mil dólares? E se fosse um astro do rock? Me entregaria ao vício das drogas e da euforia? E se as respostas forem negativas....como finalmente posso me tornar um "normal"?
Depressão seria realmente uma doença como diabete, ou hipertensão....que não tem cura, e que temos que controlar pro resto da vida? Controlar através da anestesia de tudo isto que sinto?

Não sou um, sou vários. Não consigo me definir. Não tenho visão de tempo. Ontem, hoje e amanhã se misturam em minha mente. Acordo uma pessoa, e vou dormir outra. Posso chorar ao pensar em Deus....ao perceber que o mais importante não é perguntar onde ele está....mas sim onde ele não está? Vejo a perfeição de toda a natureza, porém vejo o homem como um vírus. Que para crescer tem que destruir tudo que o rodeia. 


Como ver um mendigo na rua e não querer abraçá-lo? Qual a diferença entre ele e meu irmão mais velho; que mora em uma casa luxuosa com filhos e piscina? Como deixar de seguir o coelho branco de Alice....de cair na tentação de não pular no buraco dos sonhos? Tomando Neozine?
Me deixem dormir....só mais 5 minutos.....

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Crônica do amor - Arnaldo Jabor


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.




Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?


Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.


É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.


Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.