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domingo, 20 de maio de 2012

Consulta Psiquiátrica Pública (SUS) - Cap. 2

"Não falei absolutamente mais nada ao médico...de repente o analisado era ele mesmo.
Em dez minutos de consulta, ou melhor, monólogo a dois, falou que eu era bipolar, e que eu iria tomar remédios remédios pro resto da minha vida."

O tratamento seria semanal. Porém nas próximas consultas a relidade dos fatos foram se revelando. Na segunda entrevista, nada de remédios nem receitas. "Você está atrasado e a responsável do setor não se encontra mais no hospital", disseram os residentes às 16:45hs. Minha consulta estava marcada entre 16:15 e 16:30. A solução encontrada foi que eu visitasse um colega deles, psiquiatra que estaria de plantão no maior manicômio da cidade, e lá ele poderia me atender às 6:00 da manhã do outro dia; me receitando e medicando no que eu precisasse. Para mim que estou dormindo entre 4 e 5 da manhã foi uma tarefa delicada, já que eu teria que segurar as pontas e virar a noite para amanhecer lá.

Chegando na recepção do hospital, ninguém de lá sequer ouviu falar no tal médico. - Não trabalha aqui senhor. Foi o que a sra. da administração me respondeu. Infelizmente tive que incomodar o médico que fez a indicação telefonando pra ele às 6:15hs. Ele me respondeu que o tal médico estaria na urgência do hospital, que é uma ala independente e com acesso por uma outra avenida. Chegando lá me deparei com o terror de uma urgência psiquiátrica pública. Loucos, bêbados, drogados e policiais; todos esperando os médicos começarem a atender. Estranhei o fato já que se tratava de uma Urgência. "É que os doutores tiram um cochilinho no final da noite, revelou o guarda da entrada...". Dado o nome do médico procurado, a resposta foi a mesma, este médico não está de plantão hoje senhor. Novamente liguei para o médico colega do tal plantonista e ele me respondeu que falou que em minutos ele estaria no plantão, e que já estava no caminho do hospital.

Esperei até às nove horas, como espectador daquele circo de horrores. Não pelo show dos doentes mas pelo desprezo absoluto dos enfermeiros e funcionários que apareciam esporadicamente. Cansado de esperar, mostrei a carta de encaminhamento a um médico que passou pelos corredores e este me falou que o doutor fulano já tinha acordado e iria começar a atender. Achei que ele ainda estaria vindo, pensei...mas não fiquei surpreso. Fui chamado em uma das salas e finalmente fui atendido pelo médico.

Perguntou qual era o problema. Falei que era insônia por problemas financeiros. Ele perguntou se eu tinha algum histórico na família de doenças psiquiátricas, falei do meu pai que é bipolar. Pronto! Bastou para o dr. sabe tudo discorrer uma tese pessoal que falava de seu começo de carreira até o diagnóstico de bipolaridade.
Não falei absolutamente mais nada...de repente o analisado era ele mesmo.
Em dez minutos de monólogo a dois, falou que eu era bipolar, e que eu iria tomar remédios remédios pro resto da minha vida.
Falou que o ambulatório do hospital não estava mais funcionando e que não tinha remédios para me dar, apenas receituário. Segue mais um esquema para degustação:

. Dalmadorm (Flurazepam) - Novidade pra mim até então.
. Depakeine 500
. Clonazepan 4mg (2x2mg)
Todos a noite antes de dormir.

Detalhe, ele retirou a Risperidona que eu estava nos 30 primeiros dias de tratamento.
Quanto ao Dalmadorm, não vou me prolongar na descrição dos efeitos. Apenas cito parte da bula deste delicioso "indutor do sono":

"Bula de Flurazepam (Dalmadorm)
Dalmadorm é um indutor do sono. Este medicamento de toma oral age como depressor do sistema nervoso central....

Efeitos colaterais

Alterações no sangue; boca seca; coceira; cólica; confusão mental; obstipação; diarréia; euforia; fala enrolada; dor articular; fraqueza; falta de coordenação muscular; gosto amargo; letargia; problema de acomodação visual; salivação abundante; sonolência; suores, vermelhidão na pele; vertigem; vômito."

Não foi nenhuma surpresa para mim...continuar no mesmo drama. Não consigo dormir mesmo com este delicioso coquetel de pílulas mágicas e ainda enfrento todos estes efeitos colaterais, sim amigos, eles são bem reais!

4 comentários:

  1. um misto de tristeza e decepção. já passei e ainda passo mto por isso...

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  2. Como você tá? Nunca mais escreveu/deu notícia. Abraço

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  3. Olá, tenho esquizofrenia paranóica. Estou tomando atualmente 3mg de RISS ao dia, mas ainda ouço as malditas vozes pelo menos metade do dia. Você descobriu algum medicamento que funciona melhor do que RISS. Um que seja tiro e queda, que acabe com as malditas vozes.

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  4. dalmadorm me deixou muito irritado. parei não queria ir para o rivotril pois sei que quando vai não tem volta. tentava outros que não são tarjados , tipo quitapem , da um sono legal, mas passou um tempo fui para o rivotril para ficar lesado, sei como é minha mãe e irmã tomam.... mais um

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