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sábado, 18 de dezembro de 2010

Quem dorme até tarde não é vagabundo, diz a ciência (Revista Galileu)

Pessoas com o gene da "vespertalidade" têm predisposição para acordar tarde.


Alvo de críticas de familiares e amigos, quem gosta de ficar na cama até a hora do almoço pode ter um motivo científico para a "vagabundagem": o distúrbio do sono atrasado. O assunto foi um dos temas abordados no 6º Congresso Brasileiro do Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu recentemente em Gramado.
O organismo humano tem um ciclo diário, de modo que os níveis hormonais e a temperatura do corpo se alteram ao longo do dia e da noite. Depois do almoço, por exemplo, o corpo trabalha para fazer a digestão e, conseqüentemente, a temperatura sobe, o que pode causar sonolência. 
Quando dormimos, a temperatura do corpo diminui e começamos a produzir hormônios de crescimento. Se dormirmos durante a noite, no escuro, produzimos também um hormônio específico chamado melatonina, responsável por comandar o ciclo do sono e fazer com que sua qualidade seja melhor, que seja mais profundo.
Pessoas vespertinas, que têm o hábito de ir para a cama durante a madrugada e dormir até o meio dia, por exemplo, só irão começar a produzir seus hormônios por volta das 5 da manhã. Isso fará com que tenham dificuldade de ir para a cama mais cedo no outro dia e, consequentemente, de acordar mais cedo. É um hábito que só tende a piorar, porque a pessoa vai procurar fazer suas atividades durante o final da tarde e a noite, quando tem mais energia.
O pesquisador Luciano Ribeiro Jr. da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especialista em sono, explica que esse distúrbio pode ser genético: "Pessoas com o gene da ‘vespertilidade’ têm predisposição para serem vespertinas. É claro que fator social e educação também podem favorecer”. Mas não se sabe ainda até que ponto o comportamento social pode influenciar o problema.
A questão, na verdade, é que o vespertino não se encaixa na rotina que consideramos normal e acaba prejudicado em muitos aspectos. O problema surge na infância. A criança prefere estudar durante a tarde e não consegue praticar muitas atividades de manhã. Na adolescência, a doença é acentuada, uma vez que os jovens tendem a sair à noite e dormir até tarde com mais frequência.
A característica vira um problema quando persiste na fase adulta. “O vespertino é aquele que já saiu da adolescência. Pessoas acima de 20 anos de idade que não conseguem se acostumar ao ritmo de vida que a maioria está acostumada”, diz Luciano. Segundo ele, cerca de 5% da população sofre do transtorno da fase atrasada do sono em diferentes graus e apenas uma pequena parcela acaba se adaptando à rotina contemporânea.
O pesquisador conta também que, além do preconceito sofrido pelos pais, professores e, mais tarde, pelos colegas de trabalho, o vespertino sofre de problemas psiquiátricos com maior frequência: depressão, bipolaridade, hiperatividade, déficit de atenção são os mais comuns. Além disso, a privação do sono profundo, quando sonhamos, faz com que a pessoa tenha maior susceptibilidade a vários problemas de saúde: no sistema nervoso, endócrino, renal, cardiovascular, imunológico, digestivo, além do comportamento sexual.
O tratamento não envolve apenas remédios indutores do sono, como se fosse uma insônia comum. É necessária uma terapia comportamental complexa, numa tentativa de mudar o hábito, procurando antecipar o horário do sono. Envolve estímulo de luz, atividades físicas durante a manhã e principalmente um trabalho de reeducação.
E as pessoas que têm o hábito de acordar às 4 ou 5 horas da manhã? “O lado oposto do vespertino é o que a gente chama de avanço de fase. Só que esse não tem o problema maior no sentido social. Ele está mais adaptado aos ritmos sociais e profissionais. Os meus pacientes deste tipo têm orgulho, já ouvi mais de uma vez eles dizendo ‘Deus ajuda quem cedo madruga’”, diz o neurologista.

Leia a matéria - Revista Galileu

6 comentários:

  1. Como sempre, os diferentes sempre sofrem com o preconceito social. É difícil ser diferente, e o pior de tudo é que as pessoas não param pra te escutar ou tentar te compreender, simplesmente te rotulam e pronto. =S

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  2. Q bom ler isso, afinal eu adoro ir para cama na madruga e acordar as 11 da manhã...
    Detesto acordar cedo

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  3. Cara cada dia eu descubro uma coisa, se por um lado é bom que eu não sou vagal de outro não é muito legal pois é doença risos.
    Mas valeu pelo esclarecimento. Me sinto melhor.

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  4. O mundo ainda não percebeu que ser diferente é normal... que somos todos um, mas somos cada um também. E se vc não se encaixa no padrão da maioria, tá ferrado... rs... Tratar de forma igual os desiguais sempre dará confusão. Eu, vc, somos diferentes? Em relação a quem? Bem, como boa bipolar, demorei muito pra me parecer comigo mesma, que dirá com os outros.
    Mas gostei muito da reportagem. Hoje sabemos que os genes são determinantes e não há como lutar com eles, pelo menos sem uma intervenção cirurgico-científica que ainda está bem longe de ser uma atitude corriqueira.
    O jeito é se conhecer muito, conhecer as consequências de sua genética e lidar com isso da melhor maneira possível.
    Tenho 56 anos e me conheço o suficiente para saber que estou bem hoje em dia. Mas foi uma luta e tanto.
    Menino bonito, seja bem vindo no Chocolate.
    Beijokas e uma semana produtiva e feliz.
    Seguindo...

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  5. Cara, comprei HOJE o vendedor de sonhos!!! Diga lá! Vou ler nas férias, amanhã acabam minhas provas da faculdade (graçasaDeus) aí quando eu acabar de ler "A beleza está nos olhos de quem vê - de Camila Cury" eu leio esse =p

    Abraço

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  6. Vc n vai demorar tanto assim pra ler,,,é mto bom

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